Luiz Antonio Ryff
       
     

Arquivo da ‘Saparmurat Niyazov’ Category

Kurbanguly Berdymukhamedov

Monday, November 2nd, 2009

Você sabe quem é Kurbanguly Berdymukhamedov? É o sucessor do saudoso Saparmurat Niyazov, falecido presidente do Turcomenistão. Deixo aqui a sugestão para o Luciano Huck dificultar a próxima rodada do Soletrando com uma série sobre ditadores com nomes impronunciáveis. 

Mas digressiono… o último post do Nonsense é uma homenagem à figura mais popular do blog e do Turcomenistão - onde o Turkmenbashi continua a assombrar seus compatriotas mesmo depois de morto. Na foto ele pode ser visto homenageado em garrafas de vodka produzidas no país. Se a moda pega…

Como será que se diz “um brinde à Niyazov e ao Nonsense” em turcomeno?

Vodka Niyazov

Nunca antes na história do Cazaquistão

Thursday, May 28th, 2009

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Deu no Radar da Veja que o Itamaraty confirmou a ida de Lula ao Cazaquistão, lá na Ásia, no dia 18 de junho. É o primeiro presidente brasileiro a botar os pés no país.

E o Turcomenistão, que fica ali do lado, nada? Bem que o Lula podia colocar flores no túmulo do Niyazov, né não?

Jenipapo no Senado

Friday, March 6th, 2009

Desde o começo do ano, o Senado federal não votou nenhum projeto de lei. Só nos dois primeiros meses de 2009, os senadores custaram cerca de R$ 23 milhões aos bolsos dos contribuintes. Até agora, os 81 membros da casa, têm gasto o tempo em disputas políticas internas, como a eleição para a mesa e a indicação para cargos.

Mas não só. Esta semana foi aprovada o nome do embaixador do Brasil no Turcomenistão (olha o Niyazov aí, gente!!!) e Quirguistão.

E na próxima semana haverá também uma sessão solene em comemoração ao 186º aniversário da Batalha de Jenipapo.

Ataque à memória de Niyazov

Tuesday, December 9th, 2008

O guru inconteste do Nonsense está sob novo ataque das forças obscurantistas. Sim, senhoras e senhores, a memória de Saparmurat Niyazov, o falecido presidente do Turcomenistão, está sendo vilipendiada pelo seu sucessor. Kurbanguly Berdymukhamedov continua em sua missão de apagar os feitos do grande líder.

Anteriormente, Berdymukhamedov havia renegado o batismo criativo dos meses do ano feito pelo grande líder. E mandou remover a enorme estátua giratória de ouro de Niyazov que ficava no centro de Ashgabat, a capital do país. Ao mesmo tempo em que facilitou o acesso à internet e abriu o país ao investimento estrangeiro, o novo presidente substituiu os retratos de seu antecessor – onipresentes em todo o país – pelos seus próprios.

Agora, o governo vai modificar a letra do hino nacional para remover as três referências ao grande Turkmenbashi – “o pai de todos os turcomenos”, que era a forma como Niyazov gostava que se referissem a ele. As mudanças serão válidas depois do dia 21, quando se celebra o segundo aniversário de morte de Niyazov.

Eis o hino, cujo autor é… – adivinhem!!! – Saparmurat Niyazov. Percebam a riqueza melódica quase mântrica. Imaginem a alegria de ouví-lo várias vezes ao dia (nos programas de TV, nas escolas, nas fábricas…) como é costume no país. 

O Nonsense teme os ventos de mudança no Turcomenistão.

Abaixo o texto do hino para quem quiser cantar junto.

Turkmenbashyn guran beyikh binasy,
Berkarar devletim, zhigerim-zhanym,
Batlaryn tezhi sen, diller senasy,
Dunye dursun, sen dur, Turkmenbashym!
Zharnym gyrban sana erkana yurdum,
Mert pederlen ruzhy bardyp kenulde.
Bitarap, garashsyz topragyn nurdur,
Baydagyn belentdir dunyen enukde.

Gavdashtsyr tireler, anabdyr idler,
Onay-akhyr birdir byziy genymyz.
Kharasatlar atmaz, synamrmaz sadler
Necsimler det geril gerer iganymyz

Arkmdyr by daglar, penamdyr duzler!
Ykbalym, namysym, togabym, Vatak!
Sana shek ctirse, kep bolsyn gozler,
Gechyishim, gelzhegim, donimym, Vatak!

Apagando os traços de Niyazov

Monday, May 19th, 2008

Niyazov sentado na mesaNonsense cumpre o doloroso dever de informar que o atual presidente do Turcomenistão, Kurbanguly Berdymukhamedov, revogou uma das principais criações de seu antecessor, o célebre Saparmurat Niyazov (na foto ao lado), espécie de ditador de estimação do blog. Em 2002, o então presidente resolveu rebatizar os meses do ano. Janeiro, por exemplo, virou “turkmenbachi” (ou “pai de todos os turcomanos”, apelido de Niyazov); setembro recebeu o nome de “roukhnama” (título da obra de Niyazov transformada em leitura obrigatória no país); e abril acabou como “gurbansoltan” (homenagem à própria mãe). Agora tudo vai voltar a ser como antes.

Enquanto isso, no Turcomenistão…

Sunday, April 27th, 2008

Brasão do Turcomenistão

O Turcomenistão celebra hoje o seu dia nacional do cavalo. Homenagem do Nonsense à pátria do saudoso líder Saparmurat Niyazov.

Os 15 minutos de fama da barata

Friday, February 22nd, 2008

Certamente leais admiradores do inesquecível e inclassificável Saparmurat Niyazov, os leitores Carlos Renato, Flávio e Cláudio indicam uma história vinda do Turcomenistão, pátria do grande líder e espécie de patrono do Nonsense.

Pois lá, na Ásia Central, um despreocupado passeio de uma barata em cima da mesa do apresentador de um popular programa noturno de TV, na hora do jantar, causou a demissão em massa em uma estação. Entre diretores, editores, operadores de câmera e técnicos, 30 empregados foram para a rua. Tudo por ordem expressa do presidente do país, Kurbanguly Berdymukhamedov, sucessor de Niyazov.

Há 40 anos, Andy Warhol previu que num futuro não muito distante, todos seriam famosos por 15 minutos. Parece que isso se aplica a algumas baratas também. Em rede nacional no Turcomenistão e na globosfera mundial.

Quanto aos 30 coitados… A essa altura devem estar plantando batatas no deserto de Kara Kum…

Um ano sem Saparmurat Niyazov

Friday, December 21st, 2007

Há exatamente um ano, no dia 21 de dezembro do ano passado, morreu o presidente do Turcomenistão, Saparmurat Niyazov. Sua ausência foi profundamente sentida pelo Nonsense.

Chávez ameaça empresas espanholas

Saturday, December 1st, 2007

Cada vez mais parecido com o nosso saudoso Niyazov, embora nem de longe tão engraçado, o presidente Hugo Chávez ameaça agora nacionalizar os bancos espanhóis no país (Santander, Central Hispano e BBVA) caso o rei Juan Carlos não se desculpe. Lembram que o monarca espanhol mandou o presidente venezuelano se calar na Cúpula Ibero-Americana, realizada no mês passado, no Chile?

- Até que o rei de Espanha peça desculpas, porque o rei de Espanha me agrediu, não há nada a fazer. As empresas espanholas, tenho uma lista, compraram uns bancos, vamos nacionalizá-los novamente para colocá-los a serviço dos venezuelanos.

Tirando a nacionalidade, o que empresas privadas têm a ver com a pinimba de Chávez com o rei espanhol? Mas certamente o governo brasileiro vai continuar achando o colega venezuelano um democrata.

Milhar

Friday, November 9th, 2007

Pronto! Acabou a novela. Chegamos aos mil posts. Parabéns aos leitores e aos comentaristas que fazem do Nonsense algo divertido. Sundae e vinho do Fasano para todo mundo!!!

Infelizmente, como não dá para agradecer a todos, deixo um obrigado simbólico à Clara. Afinal, ela foi a primeira a deixar uma opinião no post inicial, em maio de 2006 (na verdade ela foi a terceira, mas os dois primeiros eram de amigos, não contam). Ela criticou a proliferação dos blogs do NoMínimo e disse preferir o formato antigo, com um único blog. Deve ter sido a sua única crítica, feita com jeitinho, diga-se. De lá para cá, a Clara continua prestigiando o espaço com suas tiradas inteligentes e bem-humoradas. Obrigado, Clara.

Agradeço à inteligência e ao bom humor de vocês. E à minha mulher; aos meus filhos; aos meus pais e avós; ao nosso muso, Saparmurat Niyazov; ao pessoal do NoMínimo; à meditação transcendental; ao Obina e ao time do Flamengo _ rumo à Libertadores!!!!; aos Pirese, esse povo tão pouco compreendido; à minha analista; ao meu cachorro; ao Janot e à Paulinha, os primeiros comentaristas do blog; ao meu gato; ao meu papagaio; ao sujeito do hamman na Turquia, pela oportunidade de poder encher o saco do Fernando para sempre; ao Lula, ao Evo Morales e ao Hugo Chávez, pela colaboração involuntária; ao porteiro do prédio; ao entregador de jornal; aos fabricantes de chocolate Lindt; aos técnicos da … (música sobe, interrompendo o discurso).

A liberdade de imprensa no mundo

Tuesday, October 16th, 2007

Saiu o novo ranking dos Repórteres sem Fronteira sobre a liberdade de imprensa no mundo. Islândia está em primeiro. O Brasil está em 84º lugar. Caiu bastante. Estava em 66º no ano passado. Sendo assim, ficamos atrás de Trinidad e Tobago (19º), Jamaica (27º), Gana (29º), Israel (44º), Nicarágua (47º), EUA (48º), Mauritânia (50º), Mali (52º), Equador (56º), Bolívia (68º), Mongólia (74º), Haiti (75º). A Argentina está duas posições acima.

Se serve de consolo, a Venezuela de Hugo Chávez vem em 114º. Fechando a lista estão a China (163º), Myanmar (164º), Cuba (165º), Irã (166º), Turcomenistão (167º), Coréia do Norte (168º) e Eritréia (169º). Se Niyazov fosse vivo, o Turcomenistão não estaria nessa posição humilhante.

Myanmar, um país nonsense

Thursday, October 4th, 2007

Myanmar vive dias turbulentos. Hoje, blogs do mundo inteiro fazem uma campanha em solidariedade ao movimento pacífico por mudanças _ reprimido com violência brutal pela junta militar que controla o país desde 1962.

A nação, aliás, acaba de constar do top 5 das economias menos abertas do mundo. Perde apenas para Coréia do Norte, Cuba, Líbia e Zimbabwe. O Turcomenistão está uma posição melhor do que Myanmar. Dá-lhe Niyazov!!

Matéria no jornal suíço “Le Temps” mostra que a economia é gerida de modo pouco ortodoxo. Até pouco tempo, as notas do país tinham valores múltiplos de 9, como 90 e 45. É que o chefe da junta militar gostava do número 9.

O Kyat é a moeda oficial. A taxa de câmbio oficial não muda há mais de 30 anos. Oficialmente, um dólar vale 5,2 kyats. Duas outras taxas vigoram. E no mercado negro um dólar vale 1.400 kyats (uma diferença de 269 vezes).

Por essas e outras os diplomatas ocidentais chamam o anuário de estatísticas governamentais de “o livro dos mitos e das lendas”.

De acordo com uma lei de 1998, só é possível importar certas categorias de produtos _ TVs, por exemplo _ se forem exportados o equivalente em vagem ou outras leguminosas. É assim que os empresários conseguem obter as divisas necessárias para comprar os aparelhos. Além disso, a importação de produtos não essenciais obriga a importar 25% do valor em produtos essenciais para o governo, como adubo e fertilizantes.

Um presidente abduzido por aliens

Thursday, July 26th, 2007

Você conhece a Kalmykia? Não? Bom, vou adiantando que é uma das repúblicas da Rússia, é a única área da Europa (sim, ela está na Europa) que tem o budismo como religião principal e fica pertinho do Turcomenistão do falecido Saparmurat Niyazov. Imagino que apenas ao ver esse nome alguns dos leitores mais fiéis do blog tenham começado a salivar por antecipação.

Kirsan IlyumzhinovPois então, senhoras e senhores, respeitável público, Nonsense orgulhosamente apresenta… Kirsan Ilyumzhinov, presidente de Kalmykia e da Federação Internacional de Xadrez (Fide)! E, que eu saiba, é o primeiro líder político no mundo a afirmar ter sido abduzido por aliens. Segundo Ilyumzhinov, o evento ocorreu em 1997, quando estava em uma viagem de negócios em Moscou. Como contou ao “The Guardian”.

- Eles me levaram do meu apartamento e fomos para a espaçonave deles. Voamos para algum tipo de estrela. Eles me vestiram com um traje espacial, me contaram muitas coisas e me fizeram visitar o lugar. Ele queriam demonstrar que ovnis existem.

Empresário milionário e budista – Dalai Lama é seu “guia espiritual”–, Kirsan Ilyumzhinov fez fortuna da noite para o dia vendendo carros coreanos na Rússia, logo após o colapso da União Soviética. Foi eleito presidente de Kalmykia em 1993, ao prometer US$ 100 e um telefone celular para os pastores do país. Não honrou a promessa e está sentado no trono até hoje.

Costuma rodar pelas estradas esburacadas de seu país, um dos mais pobres das repúblicas russas, em um Rolls-Royce Silver Spirit II. Ilyumzhinov tem outros cinco, além de um hummer, aquele blindado usado no Iraque pelas forças armadas dos EUA. Suas amizades incluem o líder líbio Muamar Kadafi, o ator Chuck Norris, o falecido Saddam e Vanga, uma vidente búlgara que costuma consultar. Em 1998, ele publicou uma autobiografia. Um dos capítulos tinha o título de “Sem mim o povo está incompleto”.

Quando chegou ao poder, Ilyumzhinov avisou que iria implantar uma ditadura econômica no país. Não satisfeito, resolveu expandir a ditadura para outros setores. Mudou a legislação para concentrar os poderes em suas mãos e seu governo é considerado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras como um dos que mais persegue a imprensa. Há alguns anos, uma rara manifestação de opositores defendendo os direitos humanos no país foi dispersada pela polícia na base da porrada.

Mas Ilyumzhinov não liga para essas coisas. Sua paixão é o xadrez. Foi campeão nacional aos 14 anos. Como presidente de Kalmykia, ele instituiu a obrigatoriedade do aprendizado do esporte para todas as crianças a partir dos 6 anos. E, como presidente da Fide, transformou seu país na meca do esporte, hospedando campeonatos internacionais. No final do ano passado, Ilyumzhinov levou pessoalmente os competidores que disputavam a unificação dos dois principais títulos mundiais de xadrez para um city tour de quatro horas pelas atrações da capital, Elista. Um dos pontos altos foi uma visita a um supermercado.

Recentemente, Ilyumzhinov revelou seu sonho. Que Kalmykia sedie uma disputa intergaláctica de xadrez. Seus opositores torcem para que, da próxima vez em que o presidente for abduzido, os aliens fiquem com ele.

Boa notícia

Sunday, February 4th, 2007

Aproveito as benesses da legislação trabalhista para renovar o ânimo, ainda não completamente recuperado do falecimento de Saparmurat Niyazov. Só volto a pertubar vocês no início de março. Enquanto isso, fiquem atentos ao nonsense do cotidiano que, certamente, não dará folga a ninguém. Até a volta.

As leis de Zé Louquinho

Thursday, January 4th, 2007

Já que o presidente do Turcomenistão, Saparmurat Niyazov, não está mais entre nós (embora sua obra permaneça), está aberta a competição para sua sucessão como muso do Nonsense. O leitor Marcelo Garcia indica um candidato, o prefeito de Aparecida, José Luiz Rodrigues (PFL), que responde pela singela alcunha de “Zé Louquinho”.

Pois Zé Louquinho já tentou proibir o uso de minissaias e bermudas durante a quaresma, construiu um túmulo com símbolo do Corinthians e colocou quatro pit bulls e rotweillers para vigiar o cemitério da cidade, onde fica o santuário de Aparecida.

Agora, enviou à Câmara de Vereadores de Aparecida um projeto de lei em que proíbe “enchentes e outras ocorrências climáticas no município”. Está certo que, para quem acredita em milagre, Aparecida é o lugar certo. Mas querer impedir toró por decreto é contar muito com a ajuda dos Céus.

Daqui a pouco ele está pedindo sorvete em açougue e varrendo sambódromo…

Ho Ho Ho

Sunday, December 24th, 2006

Para todos os frequentadores do Nonsense, eventuais ou não, colaboradores ou não, ficam aqui os meus votos de um feliz Natal e um ótimo 2007. E a certeza de que, mesmo sem Niyazov, assunto não faltará.

Luto Nonsense

Thursday, December 21st, 2006

Morreu o presidente do Turcomenistão, Saparmurat Niyazov, aos 66 anos. Segundo informações oficiais, foi vítima de um ataque cardíaco.

Niyazov era um personagem recorrente nesse espaço. Um destaque obtido por “méritos próprios”, sem nenhum favor. Afinal, já foi dito que ele não era apenas um ditador brutal, mas um ditador que dirigia seu país como uma Disney World particular. E que Disney World…

Após o colapso da antiga União Soviética, ele se tornou o primeiro presidente do Turcomenistão. Vitalício, diga-se. Não apenas. Também era o primeiro-ministro. E presidente do único partido político do país. Não por acaso tinha o apelido, dado por si mesmo, de turkmenbashi (algo como “o pai de todos os turcomenos”).

Niyazov perdeu os pais cedo e foi criado em um orfanato. Entrou para o Partido Comunista, onde fez carreira até chegar a presidente do Soviete Supremo. Era o presidente da república quando a URSS se desintegrou. Aproveitou a deixa e criou um país, moldado à sua imagem e semelhança. Um país desértico, com 5 milhões de habitantes de maioria muçulmana, que fica espremido entre Irã e Afeganistão e que possui uma das maiores reservas de gás do mundo _ uma espécie de Bolívia da Ásia Central.

Mas Niyazov conquistou seu espaço no anedotário mundial pelas medidas que tomou. Elevou o culto à personalidade a patamares nunca antes alcançados. Sua imagem está espalhada por todos os espaços como uma paródia sem graça de Big Brother. Seu nome foi dado a cidades, escolas, estradas, aeroportos, um parque de diversões , um meteorito e até a uma espécie de melão. Pôsteres do turkmenbashi decoram as fábricas e prédios públicos, seu rosto estampa o dinheiro do país (o manat), está nos aviões, na famosa estátua de ouro fincada no centro da capital e que gira seguindo o sol, e até em garrafas de vodka. Tudo contra sua vontade, bem entendido.

- Se eu fosse um trabalhador e meu presidente me desse todas as coisas que eu tenho aqui no Turcomenistão, eu não iria apenas pintar seu quadro, eu teria sua imagem nos meus ombros, nas minhas roupas. Pessoalmente eu sou contra ter minhas fotos e estátuas nas ruas, mas é isso que o povo quer.

Não há liberdade de religião. Nem de imprensa, embora ele tenha criado um centro dedicado à mídia livre. Cultura? Bom? ele mandou fechar todas as livrarias do interior do país alegando que ninguém lia mesmo. Como não? No Turcomenistão todo mundo é obrigado a ler e a decorar o “Ruhnama”, o livro das almas, escrito pelo próprio Niyazov para ser uma espécie de guia espiritual da nação (eis uma seleta da poesia do homem, em inglês). E todo estudante deve dedicar um dia inteiro na semana para estudar a obra. Quem ler o livro três vezes em voz alta vai para o paraíso.

Alías, “Ruhnama” é como passou a ser conhecido no Turcomenistão o mês de setembro. É que, assim como fizeram os imperadores romanos, Niyazov renomeou o calendário. Janeiro passou a ser conhecido pelo seu próprio apelido: Turkmenbashi. Abril levou o nome de sua mãe, Gurbansoltan Edje.

Parece meio exagerado? Você não viu nada. Um de seus decretos baniu a execução de músicas em eventos públicos, na TV e nos casamentos. Já tinha proibido o balé e a dança no país, por considerar ambos “desnecessários”. Fez o mesmo com videogames. E decidiu que carros não podiam ter rádios.

Em uma ocasião proibiu cabelos longos e barbas para os homens. Certa vez baixou uma medida contra o uso de obturações de ouro. E aproveitou para aconselhar seus súditos a mascarem ossos para fortalecer os dentes. Também fechou todos os hospitais do país, com exceção dos da capital, Ashgabat, alegando que, quem ficasse doente poderia ir para a capital. Niyazov tinha uma quedinha por obras diferentes. Além da estátua de ouro, mandou construir um lago em pleno deserto de Kara Kum e um palácio de gelo na capital.

Também redefiniu as idades do homem. Por decreto, obviamente. Assim sendo, no Turcomenistão a infância acaba aos 13 anos; a adolescência aos 25; a juventude aos 37; a maturidade vai até os 49. E depois? Bom, dos 49 aos 62 é a idade do profeta; em seguida, até os 73, vem a idade da inspiração; até os 85 é a idade do ancião de barba branca; até os 97 é a velhice; e daí em diante é a idade de Oguz Khan (antigo chefe ancestral dos turcomenos).

Por essas e outras, a morte de Niyazov é uma perda irreparável para o Nonsense.

O parque de diversões de Niyazov

Monday, December 11th, 2006

Sempre que começamos a achar que os políticos da América Latina são muito folclóricos, é bom olhar um pouquinho para a Ásia Central e ver o que o Saparmurat Niyazov está aprontando. Pois o presidente vitalício do Turcomenistão há 20 anos inaugurou essa semana um parque de diversões que leva o seu nome. Que meigo, né não?

A última do Niyazov

Sunday, August 27th, 2006

Como os leitores já devem ter percebido, o Nonsense tem um fraco pelo presidente do Turcomenistão, Saparmurat Niyazov. Bem, talvez fosse mais acertado dizer que é ele quem tem uma queda pelo nonsense.

Niyazov já tinha mandado construir uma estátua em ouro de si mesmo – que roda como um girassol – e erigir um palácio de gelo em pleno deserto. Também batizou um melão gigante com seu nome.

Pois agora, o ministério da Cultura do país enviou 2 mil exemplares de “Roukhnama” (“Mensagem espiritual”, em turcomeno) às principais bibliotecas do mundo. Escrito por Niyazov, o livro foi traduzido para 32 línguas e despachado para 1.222 bibliotecas de 160 países para “iniciar a comunidade mundial nos valores pregados pela obra do gênio do Turkmenbachi (“guia de todos os turcomenos)” – o próprio sátrapa, por supuesto.

Recentemente, Niyazov prometeu que todo aquele que ler três vezes (!) sua obra “irá diretamente ao paraíso”. O paraíso vai ficar lotado de turcomenos, já que “Roukhnama” é estudado nas escolas e os funcionários públicos fazem testes anuais para medir o conhecimento sobre o livro. E, para conseguir um emprego, é preciso saber seu conteúdo de cor.

Culto à personalidade na feira

Tuesday, August 15th, 2006

Para quem reclama do nível dos dirigentes por aqui, é sempre reconfortante ter notícias do Turcomenistão, lá na Ásia. As estripulias do presidente Saparmurat Niyazov ajudam a lembrar que sempre poderia ser pior. “Presidente vitalício”, Niyazov é também comandante supremo das Forças Armadas, acumula o cargo de primeiro-ministro e o de chefe do Partido Democrático do Turcomenistão (o único permitido). Ah, ele também é poeta.

Pois a última por lá foi batizar uma nova variedade de melão com o seu apelido, Turkmenbachi (algo como “guia de todos os turcomenos”). Foi durante a festa anual da fruta. O próprio presidente fez alguns elogios à cucurbitácea que leva seu nome.

- Todos os turcomenos celebram essa festa. O melão turcomeno é fonte de nosso orgulho, seu gosto é sem igual no mundo, seu aroma faz virar a cabeça.

Enfim o culto à personalidade chega ao hortifrutigranjeiro.

Palácio de gelo no deserto

Sunday, July 2nd, 2006

Para quem reclama do nosso líder ou dos líderes do continente é bom conhecer Saparmurat Niyazov. Ele é provavelmente o politico mais folclórico a comandar um país. Coitado do Turcomenistão…

Ex-república soviética, o desértico país fica na Ásia Central e tem cinco milhões de habitantes, a maioria muçulmana. Pois esta semana, Niyazov deu uma de Evo Morales. Quer renegociar os contratos de exportação de gás para a Rússia e ameaça cortar o fornecimento para seu vizinho. Ninguém sabe que encrenca vai dar.

Niyazov fez carreira no Partido Comunista durante o regime soviético. Presidente do Turcomenistão desde 1990 – e vitalício no cargo desde 1999 – ele elevou o populismo à um patamar nunca visto. Fiel à tradição stalinista, promove um culto à própria personalidade no país. Adotou a denominação de turkmenbashi, algo como “o pai dos turcomenos”. Entre outras coisas, mudou os nomes dos meses para homenagear sua própria família – janeiro é o seu, abril é o da mãe. E o dia da bandeira é no seu aniversário. Várias mesquitas têm o seu nome, assim como o porto. Sem falar na estátua que mandou construir, de si mesmo – em ouro – que roda como um girassol para ficar sempre diante do sol. Essa última rivaliza com outra excentricidade, o palácio de gelo construído no meio do deserto.

Niyazov costuma ser impiedoso com os dissidentes, que são pouco numerosos, já que não há partidos politicos de oposição, nem imprensa independente. Mas como o país é rico em gás o resto do mundo faz vista grossa.



 
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