Luiz Antonio Ryff
       
     

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É o fim do caminho

Tuesday, November 3rd, 2009

“Segundo o dicionário Houaiss, nonsense significa “frase, linguagem, dito, arrazoado etc. desprovido de significação ou coerência; absurdo, disparate”. Pode ser, também, uma “conduta contrária ao bom senso”.

Portanto, a coluna se propõe a ressaltar fatos, falas e ações que tenham caráter insólito, às vezes bizarro, que não façam sentido – ou, pelo menos, não aquele que deveriam fazer. Pode ser a fala extravagante de um artista; as derrapadas ou os atos contraditórios de um político; ou qualquer outra pisada de bola, para usar uma metáfora tão ao gosto de nossos homens públicos.

Pelo jeito que as coisas andam, aqui e no mundo, material não vai faltar.”

Era com esse post, em maio de 2006, que o Nonsense estreava no inesquecível NoMínimo. As diretrizes foram seguidas durante esses três anos e meio. Hoje, 2.040 posts e mais de 100 mil comentários depois, o Nonsense pendura as chuteiras.

O Nonsense nasceu quase por acaso em 2006. Sugeri aos donos do site, Alfredo “Tutty Vasques” Ribeiro e Xico Vargas, a criação de um blog que aglutinasse contribuições de alguns colaboradores mais próximos como forma de incrementar o volume de informação oferecida. Assim nasceu o NoBlog. A idéia deu certo e acabou evoluindo para um grupo de blogs.

Como repórter especial eu não tinha uma área delimitada de trabalho, ao contrário da maioria dos colunistas que se transformariam em blogueiros. Os assuntos nos quais tinha alguma experiência já estavam ocupados. Alfredo sugeriu então que eu fizesse algo ligado ao insólito. Pensei em batizar de Nonsense por fugir da ideia de bizarro e ainda ter um trocadilho com NO. Foi um período divertido e enriquecedor. Por lidar com personagens de verdade que pareciam de ficção – como Saparmurat Niyazov, o ditador do Turcomenistão – e com personagens de ficção que eram de verdade – como vários comentaristas.

Com fim do NoMínimo, pensei em encerrar o blog, que me dava alegrias, mas nenhum centavo, e ainda tomava parte importante do meu tempo. O carinho e o interesse dos comentaristas acabaram adiando a ideia.

Contudo, recebi um convite para um novo desafio profissional. E, infelizmente, não poderei continuar com o trabalho aqui no blog. Agradeço a todos os que contribuíram para esse espaço: ao Xico, ao Alfredo e ao NoMínimo – onde tudo começou – pela oportunidade; aos ex-parceiros do site; ao Pedro Doria, ao Pax, ao Lula e ao Pandorama; aos comentaristas frequentes e aos leitores mais tímidos.

Mais do que parar de fazer o Nonsense, lamento interromper essa relação com tantas pessoas bacanas e generosas que colaboraram com o blog. A companhia e a participação de vocês fizeram toda a diferença para mim. É curioso que, apesar da convivência durante esses anos e o afeto mútuo, só conheci pessoalmente um dos comentaristas. Independente disso, é triste perder o convívio com quem se gosta. Quem quiser manter contato pode me adicionar no Facebook, no Orkut, ou mandar um email (mas, por favor, se identifiquem!).

Foi um grande prazer

Kurbanguly Berdymukhamedov

Monday, November 2nd, 2009

Você sabe quem é Kurbanguly Berdymukhamedov? É o sucessor do saudoso Saparmurat Niyazov, falecido presidente do Turcomenistão. Deixo aqui a sugestão para o Luciano Huck dificultar a próxima rodada do Soletrando com uma série sobre ditadores com nomes impronunciáveis. 

Mas digressiono… o último post do Nonsense é uma homenagem à figura mais popular do blog e do Turcomenistão - onde o Turkmenbashi continua a assombrar seus compatriotas mesmo depois de morto. Na foto ele pode ser visto homenageado em garrafas de vodka produzidas no país. Se a moda pega…

Como será que se diz “um brinde à Niyazov e ao Nonsense” em turcomeno?

Vodka Niyazov

Ho Ho Ho

Sunday, December 24th, 2006

Para todos os frequentadores do Nonsense, eventuais ou não, colaboradores ou não, ficam aqui os meus votos de um feliz Natal e um ótimo 2007. E a certeza de que, mesmo sem Niyazov, assunto não faltará.

Luto Nonsense

Thursday, December 21st, 2006

Morreu o presidente do Turcomenistão, Saparmurat Niyazov, aos 66 anos. Segundo informações oficiais, foi vítima de um ataque cardíaco.

Niyazov era um personagem recorrente nesse espaço. Um destaque obtido por “méritos próprios”, sem nenhum favor. Afinal, já foi dito que ele não era apenas um ditador brutal, mas um ditador que dirigia seu país como uma Disney World particular. E que Disney World…

Após o colapso da antiga União Soviética, ele se tornou o primeiro presidente do Turcomenistão. Vitalício, diga-se. Não apenas. Também era o primeiro-ministro. E presidente do único partido político do país. Não por acaso tinha o apelido, dado por si mesmo, de turkmenbashi (algo como “o pai de todos os turcomenos”).

Niyazov perdeu os pais cedo e foi criado em um orfanato. Entrou para o Partido Comunista, onde fez carreira até chegar a presidente do Soviete Supremo. Era o presidente da república quando a URSS se desintegrou. Aproveitou a deixa e criou um país, moldado à sua imagem e semelhança. Um país desértico, com 5 milhões de habitantes de maioria muçulmana, que fica espremido entre Irã e Afeganistão e que possui uma das maiores reservas de gás do mundo _ uma espécie de Bolívia da Ásia Central.

Mas Niyazov conquistou seu espaço no anedotário mundial pelas medidas que tomou. Elevou o culto à personalidade a patamares nunca antes alcançados. Sua imagem está espalhada por todos os espaços como uma paródia sem graça de Big Brother. Seu nome foi dado a cidades, escolas, estradas, aeroportos, um parque de diversões , um meteorito e até a uma espécie de melão. Pôsteres do turkmenbashi decoram as fábricas e prédios públicos, seu rosto estampa o dinheiro do país (o manat), está nos aviões, na famosa estátua de ouro fincada no centro da capital e que gira seguindo o sol, e até em garrafas de vodka. Tudo contra sua vontade, bem entendido.

- Se eu fosse um trabalhador e meu presidente me desse todas as coisas que eu tenho aqui no Turcomenistão, eu não iria apenas pintar seu quadro, eu teria sua imagem nos meus ombros, nas minhas roupas. Pessoalmente eu sou contra ter minhas fotos e estátuas nas ruas, mas é isso que o povo quer.

Não há liberdade de religião. Nem de imprensa, embora ele tenha criado um centro dedicado à mídia livre. Cultura? Bom? ele mandou fechar todas as livrarias do interior do país alegando que ninguém lia mesmo. Como não? No Turcomenistão todo mundo é obrigado a ler e a decorar o “Ruhnama”, o livro das almas, escrito pelo próprio Niyazov para ser uma espécie de guia espiritual da nação (eis uma seleta da poesia do homem, em inglês). E todo estudante deve dedicar um dia inteiro na semana para estudar a obra. Quem ler o livro três vezes em voz alta vai para o paraíso.

Alías, “Ruhnama” é como passou a ser conhecido no Turcomenistão o mês de setembro. É que, assim como fizeram os imperadores romanos, Niyazov renomeou o calendário. Janeiro passou a ser conhecido pelo seu próprio apelido: Turkmenbashi. Abril levou o nome de sua mãe, Gurbansoltan Edje.

Parece meio exagerado? Você não viu nada. Um de seus decretos baniu a execução de músicas em eventos públicos, na TV e nos casamentos. Já tinha proibido o balé e a dança no país, por considerar ambos “desnecessários”. Fez o mesmo com videogames. E decidiu que carros não podiam ter rádios.

Em uma ocasião proibiu cabelos longos e barbas para os homens. Certa vez baixou uma medida contra o uso de obturações de ouro. E aproveitou para aconselhar seus súditos a mascarem ossos para fortalecer os dentes. Também fechou todos os hospitais do país, com exceção dos da capital, Ashgabat, alegando que, quem ficasse doente poderia ir para a capital. Niyazov tinha uma quedinha por obras diferentes. Além da estátua de ouro, mandou construir um lago em pleno deserto de Kara Kum e um palácio de gelo na capital.

Também redefiniu as idades do homem. Por decreto, obviamente. Assim sendo, no Turcomenistão a infância acaba aos 13 anos; a adolescência aos 25; a juventude aos 37; a maturidade vai até os 49. E depois? Bom, dos 49 aos 62 é a idade do profeta; em seguida, até os 73, vem a idade da inspiração; até os 85 é a idade do ancião de barba branca; até os 97 é a velhice; e daí em diante é a idade de Oguz Khan (antigo chefe ancestral dos turcomenos).

Por essas e outras, a morte de Niyazov é uma perda irreparável para o Nonsense.



 
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