Ontem de manhã, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) anunciou pelo Twitter que estava deixando a liderança do partido por conta do episódio envolvendo o arquivamento das denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
Mercadante, que é pré-candidato à reeleição no próximo ano, estava enfraquecido e isolado no cargo. No discurso, defendia a apuração dos atos secretos e o afastamento de Sarney. Embora o PT tivesse orientado os petistas no Conselho de Ética a votarem pelo arquivamento de 11 representações contra o peemedebista. Mas se pessoalmente era contra, como líder não mexeu uma palha para atrapalhar o jogo político do Planalto.
“Eu subo hoje à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável”, escreveu ele às 8h15.
Não subiu. Atendeu a um pedido do ministro das Relações Institucionais, José Múcio (PTB), para, antes, conversar com o presidente Lula.
Essa meia-volta foi ironizada até por aliados do governo, como Wellington Salgado (PMDB-MG), o suplente do ministro das Comunicações, Hélio Costa.
- (Mercadante) Queria mesmo era ser chamado pelo presidente Lula, sentar no colo do papai e ganhar um cafuné. Mas acabou arrebentando o partido.
Hoje, depois da conversa, Mercadante voltou atrás teve o seu “dia do fico”. Fez que foi, mas não foi, e anunciou que permanecerá como líder do partido no Senado. Alegou que não poderia “dizer não” a Lula. Afinal, quem ousa dizer não a Lula?
Mercadante, no fim das contas, revogou o irrevogável. Em política algumas palavras têm significado diferente mesmo.